Ministros destacam ações para desenvolvimento da Amazônia
Titulares de ministérios da área de infra-estrutura apresentaram, nesta quarta-feira, projetos do Executivo para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, sobretudo nos setores de energia, transportes e programas estratégicos. Eles participaram do 1º Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Nacional, realizado na Câmara.
O ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, destacou que a vocação da Amazônia para o desenvolvimento sustentável será respeitada na implantação de projetos de produção de energia elétrica e exploração de recursos minerais. "Esse é o maior potencial da região, mas todos os projetos do governo levam em conta os critérios de sustentabilidade ambiental", enfatizou.
Segundo o ministro dos Transportes, Alfredo Pereira do Nascimento, as estradas e ferrovias que interligam as principais cidades da Amazônia serão recuperadas até 2010. Ele disse que o governo pretende concluir a ferrovia Norte-Sul e interligá-la aos principais portos do Brasil.
Até 2010, serão investidos cerca de R$ 10 bilhões em programas de recuperação da infra-estrutura de transportes. "A região amazônica é estratégica para o Brasil e a infra-estrutura de transportes será completamente reaparelhada para alavancar o desenvolvimento regional", frisou. As obras fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ações estratégicas
O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, disse que existem dois grandes equívocos no debate sobre a Amazônia: "O primeiro é o que defende a intocabilidade do bioma, como se fosse um parque para deleite internacional, e o segundo é o de que não deve haver limites para exploração econômica".
Ele disse que um projeto para promover o desenvolvimento da região não deve se basear em nenhuma dessas visões extremas. Em sua visão, o desenvolvimento sustentável não pode se pautar por ideologias, mas por tecnologias capazes de reduzir o impacto ambiental em áreas estratégicas para o Brasil, como energia hidrelétrica e manejo florestal.
Orçamento
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou que os investimentos em projetos para o desenvolvimento regional na Amazônia serão prioridade em 2008. Para o ministro, "os investimentos foram planejados de forma estratégica, a fim de promover o desenvolvimento sustentável e a integração regional".
Entre os projetos mais importantes, Paulo Bernardo destacou a reforma de aeroportos, a construção de hidrovias e rodovias e programas sociais voltados para as populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Todos os projetos fazem parte do chamado "PAC da Amazônia Legal".
Críticas
A coordenadora do Instituto Sócio-Ambiental da Amazônia (ISA), Adriana Ramos, criticou as ações do governo federal para a Amazônia. "Não há nada de inovador no PAC no que se refere à Amazônia", afirmou. Segundo ela, ainda não é possível afirmar que há políticas efetivas de sustentabilidade para a região. "A Amazônia é um pomar abandonado", afirmou. Para a representante da ONG, o discurso dos representantes oficiais não corresponde às ações concretas.
O simpósio é promovido pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, em parceria com o Senado, órgãos do Poder Executivo e entidades não-governamentais. O encontro foi iniciado ontem e prossegue até a sexta-feira, no auditório Nereu Ramos.

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