Estudo aponta redução de 9% nos homicídios de 2003 a 2005
A Secretaria Nacional de Segurança Pública deve divulgar nos próximos dias um relatório que registrará a redução de 9% nos homicídios cometidos no Brasil entre 2003 e 2005. Segundo o coordenador do Departamento de Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Marcelo Durante, 12,8 mil vidas foram poupadas. O relatório aponta também que os estados que tiveram a maior redução nos índices de criminalidade foram Acre, São Paulo, Amapá e Tocantins.
O coordenador participou de audiência pública nesta quinta-feira na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado sobre os resultados do "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros", um estudo feito pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Esse estudo aponta que os homicídios cresceram anualmente, entre 1994 e 2004, 3,4% nas capitais e 5,1% no interior.
Durante defendeu os estudos realizados sobre o assunto como um instrumento para o desenvolvimento de políticas públicas. Ele salientou, no entanto, a necessidade de tratar esses levantamentos como um indicador para o desenvolvimento de programas práticos e não apenas como diagnóstico de um problema. "O principal desafio é aplicar o conhecimento."
Violência entre jovens
O autor do "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros", sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, resumiu seu levantamento com duas características fundamentais: o crescimento da violência é maior no interior do que nas capitais e regiões metropolitanas, e a criminalidade é concentrada na população jovem.
Em 1980, os crimes cometidos contra a população jovem eram 30% do total de homicídios. Esse percentual subiu para 51,7% em 2004. Em relação à interiorização da violência, ele lembrou que não significa que as taxas do interior (17 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2004) sejam maiores do que os índices da capital (43 homicídios para cada 100 mil em 2004). O que preocupa, disse ele, é que o crescimento anual dos homicídios entre 1994 e 2004 foi maior no interior (5,1%) do que nas capitais (3,4%).
Marcelo Durante afirmou que esse indicador pode ser conseqüência do fato de o governo ter priorizado os investimentos em segurança para as grandes cidades. "Houve concentração de recursos nos maiores municípios e temos que pautar novos investimentos dentro dos diagnósticos", comentou.
Características peculiares
O representante do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Baptista Nery apresentou dados relativos à capital paulista para sustentar a opinião de que a violência tem características peculiares de acordo com a região do estudo. Segundo ele, três bairros de São Paulo - Parelheiros, Socorro e Guaianazes - apresentam quadros diferenciados, mesmo com Socorro (18,4 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes) e Parelheiros (106,7) localizados na região Sul, enquanto Guaianazes (115,5) fica na região Leste. "Educação e emprego são fundamentais, mas é necessário estabelecer as políticas públicas segundo a região do problema."

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